quinta-feira, maio 24, 2007

Grenoble - a parte do congresso

Aliou é estudante de química e se candidatou pra trabalhar pra Alban durante este congresso e recepcionar os bolseiros. Me levou até a recepção que ainda tava cheia de gente em fila, não sabendo onde ficar, porque tinha chegado tarde e não tinha recebido confirmação de que tinha a vaga no alojamento garantida. Aliou pegou o meu passaporte, sumiu pra dentro da recepção, voltou, pegou o dinheiro, sumiu, trouxe o troco e a chave do meu quarto. Eita, que moço prestativo!
A caminho do meu alojamento, ele perguntou se eu queria tomar banho. Sim, desesperadamente. Vem comigo, porque lá onde você vai ficar, não é legal, o banheiro é coletivo e tal. Fomos até a casa dele, na residência estudantil. Faz de conta que é a tua casa. Aliou, eu não trouxe toalha. Sem problema, essa aqui eu não usei, tá limpa. Pode usar shampoo, sabonete, o que você precisar. Eu vou sair, você pode se trocar, depois eu volto. Merci. Quando eu terminei, ele voltou e anunciou que tomaríamos sorvete. Me acompanhou ao meu alojamento e ofereceu massagem pra uma viajante cansada. Essa foi a primeira coisa que eu recusei.

O quarto era do tipo conforto básico: sem travesseiro e sem toalha. Se abria a janela, as pombas entravam e ficavam fazendo barulho de pomba...
Há quatro universidades no mesmo campus em Grenoble. Esse é o auditório onde os figurões da Alban se apresentaram. Depois da cerimônia de abertura já começaria a sessão de pôsteres, mas como tudo atrasou, sobraram 15 minutos antes do almoço. Nesse tempo, foi oferecido o microfone a quem quisesse se manifestar. O primeiro a falar foi Eden, dizendo que pô, somos todos ou brasileiros ou hispano-hablantes espalhados aqui na União Européia, e nos entendemos mutuamente. Por que então, a língua oficial deste congresso é inglês? Curti o Eden.
Os prédios das universidades são modernosos, e me senti quase na UnB. E as montanhas que circundam a cidade são um barato! A nossa sessão de comunicações era de tarde e tava marcada pra começar às 14:30. Às 15:30 a sala em que a sessão seria realizada foi determinada. Maravilha! Éramos 10 pessoas pra falar por 10 minutos cada. Um brasileiro e um que falava espanhol eram intercalados. Eu era a segunda brasileira a falar. Perguntei se alguém não entendia português. Fala devagar, pronuncia bem as palavras. Tá, valeu. Eu fui a primeira a conversar com o público, a perguntar coisas, a dar exemplos, a gesticular, a andar pela sala, a fazer a galera rir. Os hispano-hablantes, em sua maioria, leram um texto em velocidade máxima. Não lembro nem do assunto do projeto deles.
Na pausa depois da nossa sessão, um monte de gente veio conversar comigo. Que adoraram a minha apresentação, que se empolgaram com as coisas que eu estudo, que têm uma tia lingüista. Da hora.
Esperando o tram altas horas da noite. Não sei os nomes de todo mundo, mas sei onde estão estudando e de onde vieram, no Brasil. Do meu lado está o Eden, e do lado dele a Julieta. Esses dois doidos me fizeram companhia no último dia. Aliás, a foto foi a Julieta quem me mandou. Obrigada!

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