quarta-feira, maio 09, 2007

Preparativos pra viagem

Na Estrada Real que fiz com Olga e Simão, aprendi a carregar pouco na mochila.

2 mudas de roupa, um pijama, moletom e capa de chuva, 2 mapas e um guia, protetor solar, coisas de banheiro, um par de Havaianas, máquina fotográfica, recarregador do celular, água, frutas secas, barrinhas de cereais e doce de leite (!!) precisarão caber na minha mochila de 25 litros. Quase esqueci: as transparências da minha coumunicação oral no congresso também precisam ir (mas não necessariamente voltar) na mochila.
Maravilha! Não levo saco de dormir nem toalha. Isso significa que precisarei dormir em lugares que disponibilizam cama e banho.
Esse guia é muito da hora! Além de ter várias rotas detalhadas, dá uma idéia da cultura e língua local. Dá preços das coisas (puxa, ainda bem que não há inflação galopante aqui!!!), distâncias, tempo de caminhada, grau de dificuldade, descrição da fauna e flora, temperatura média do local, e tem seções que foram escritas especialmente para mulheres (!) caminhando sozinhas.

Comprei um mapa com os caminhos da região da montanha e percebi que as altitudes são muito altas, e que eu não estou preparada pra passar mais de 2 dias em altitudes acima de 2.000m

Bermuda, protetor solar e chapéu eu vou usar aqui, quando caminhar de Lévanto a Portovénere. Esse é um guia de estrada, porque eu quis ter uma visão ampla da localização das coisas. Os mapas de caminhadas são muito pontuais, por exemplo no mapa de Aosta não consta Torino. Não tem os detalhes da caminhada, mas pra isso eu tenho o Lonely Planet.

With a little help from my friends

Amanhã embarco pra mais uma aventura.
Tenho um congresso em Grenoble, no sul da França, ao pé dos Alpes. Pensei em cruzar os Alpes de trem e caminhar na Itália. O vôo mais barato que encontrei de Roma pra cá é no dia 22 de maio.
Meu orientador me desejou boa sorte, então tá tudo certo.
Tanguy, da escalada, é de Grenoble, e me ajudou a pensar numa maneira econômica de chegar até a cidade natal dele.
Clément, Alexis e Ruben, daqui de casa, me ajudaram a encontrar a solução mais econômica pra chegar a Grenoble, a cidade natal de Alexis e Clément.
Larissa, que morava com a Maíra que namorava o Du que era da Oca, está numa cidadezinha perto de Genebra e vem a Grenoble, me fazer companhia no tempo em que não estarei apresentando a minha pesquisa.
Manoela, namorada do Everal, lingüista que estava na USP quando eu entrei e continua lá, apesar de já ter sido jubilado mais de uma vez, mora em Roma e vai me dar abrigo.
Jean, químico e amigo do Ruy que era da Oca, mora em Torino e me desaconselhou a pedalar pela Itália. Infelizmente ele estará dando giros pelo país e não poderá me receber.
Ilari, orientador do Renato e italiano piemontês, me escreveu - quase em italiano - quais eram os sognos de caminhada dele. Decidi que caminharia pelo Valle d´Aosta.
Paolo, amigo e colega do físico Christian, que eu conheci em Dublin através do Mané, é italiano de La Spezia e me fez um roteiro detalhado de toda a minha viagem. Claro que eu seguirei as recomendações dele e caminharei por Cinque Terre, até chegar em La Spezia.
Jonas, da B.00.74 na universidade, me viu feliz e perguntou o que eu tinha em mente. Contei da viagem, e como eu tava feliz, perguntei se ele queria me acompanhar. Ele respondeu que sim. Ele chega a Grenoble quando a Larissa embarcar no trem de volta pra La Roche sur Foron, caminha em Aosta e Cinque Terre comigo e depois volta pra cá por Milano. No total, devo passar 3 ou 4 dias sozinha. Inicialmente, eu não contava com tanta gente na minha aventura.
Tanguy me deu um mapa de Grenoble, pra eu não me perder, e me ensinou as coisas mais vitais que eu precisarei dizer em francês.

terça-feira, maio 08, 2007

NÃO!

Essa propaganda foi o gatilho pra eu dizer umas coisas que eu acho que são interpretadas erroneamente. Em primeiro lugar tem a coisa da evolução e mudança que precisam ser esclarecidas. Em segundo lugar, tem a coisa da propaganda que é tão vaga que dispara conexões impossíveis. Em terceiro lugar, vem o conforto e consumismo em detrimento do meio-ambiente.

Evolução e mudança .

A gente olha pra natureza e vê que ela evolui. As coisas vivas nascem, crescem, ficam fortes, ficam fracas e morrem. Essa imagem da evolução foi transportada pra vários âmbitos da nossa vida, e algumas vezes a analogia é bem equivocada.
Por exemplo quando se pensava que as línguas são seres orgânicos que surgem, passam por uma fase primitiva, evoluem e viram línguas de civilização, pra depois morrer. Balela! Não existe evolução numa língua, porque pra que haja evolução, é preciso que haja um alvo a ser atingido, um fim a ser alcançado. Sistemas que evoluem são sistemas teleológicos, que trazem em si o seu final. Quando este final é atingido, saberemos se houve evolução, progresso e desenvolvimento. O caminho até o destino final passa por estágios, fases, etapas. Uma língua não tem um ponto final, não tem fases, não evolui, não entra em processo de decadência ou erosão. Por mais que as pessoas reclamem que sua língua materna vai acabar, está em decadência ou é erudita, porque a erosão levou quase tudo, a língua não evolui. Sinto muito. Sistemas aleatórios, que recebem influências externas que não são controláveis nem previsíveis, não evoluem, mas mudam.

Outro lugar pra onde a analogia da evolução é transportada freqüentemente é o ser humano. Biologicamente, a gente evolui, porque o nosso fim é a morte. Ela é previsível como ponto final da vida de cada um de nós, e vai visitar cada um, invariavelmente. Mas o que acontece é que as pessoas separaram o corpo da mente, alma, espírito, e esperam poder observar algo como uma evolução também na mente/ alma/ espírito. Assim a gente mede a inteligência e a maturidade de uma pessoa, e dá diagnósticos em forma de escalas de evolução em direção à maturidade máxima, inteligência suprema. O problema é que não sabemos reconhecer ou definir o fim dessa escala. Qual é o fim a ser atingido? Quando a pessoa estará no último degrau da evolução pessoal/ psicológica? Seres humanos não evoluem, mas mudam. Sofremos tantas influências externas incontroláveis, que é impossível falar de previsão.

Um último exemplo que vira e mexe aparece como analogia de evolução, é em relação às drogas. Maconha é a porta de entrada pras drogas mais pesadas. Vixe, fuma maconha hoje, daqui a pouco tá cheirando coca, injetando heroína. A escala das drogas é disposta da seguinte maneira: conforme o tempo transcorre, as drogas vão ficando mais pesadas, a dependência mais arrasadora. Todo mundo pensa assim, isso é senso comum. Evolução! O fim da escala das drogas é alguma coisa altamente destrutiva. Por isso os pais se alarmam quando descobrem que os filhos adolescentes estão experimentando maconha. Prevêm o fim da evolução dos entorpecentes.

Voltemo-nos para a propaganda da foto. Um degrau a mais na evolução da tua bicicleta é uma bicicleta melhor, não um veículo motorizado, que não é mais uma bicicleta. O produto final de alguma coisa em evolução ainda precisa ser identificável como sendo aquela primeira coisa. Uma árvore que cresce e morre ainda é identificável como sendo a mesma árvore do começo e fim da evolução, mesmo que todas as células tenham mudado no processo. O produto da evolução de uma bicicleta não pode ser uma moto, porque se trata de entidades distintas.
Eu queria muito que as pessoas parassem de pensar que veículos motorizados -que poluem o ar e são barulhentos, convidam ao sedentarismo e abuso do limite de velocidade estabelecido e são a maior causa de mortes violentas no Brasil - são o final da escala da evolução dos meios de transporte. Para o senso comum, bicicleta é coisa de criança, estudante ou pobre que não tem dinheiro pra comprar uma moto ou um carro. Quando for gente grande e tiver dinheiro, vai comprar um veículo motorizado.

Vagueza na propaganda convidando a inferências impossíveis.


Eis a propaganda toda. A relação entre o upgrade de uma bicicleta e uma mobilete já foi provada como instável. Agora vem a relação entre o upgrade e o ato de ganhar uma Vespa. Pra performar uma melhora em qualquer coisa, é preciso interferir ativamente no estado da tal coisa. Um exemplo de um upgrade de alguma coisa é a adição/substituição de qualquer coisa. Um upgrade numa bicicleta pode ser a instalação de um bagageiro, uma cesta no guidão, ou a troca dos freios cantilever por v-brake. Ganhar uma Vespa não é exatamente uma ação que alguém pode performar. É uma coisa que te acontece, não uma coisa que você escolhe. Então, como fazer com que o ato de ganhar vire uma escolha consciente do consumidor? Simples! Convida-se o consumidor a participar de sorteios, jogos e competições. Pra aumentar as chances de ganhar - porque o imperativo é pra que se ganhe a Vespa - o consumidor é encorajado a participar mais de uma vez, comprar mais de um bilhete, consumir mais. Como a gente consegue tirar conclusões tão ilógicas?

Consumismo exacerbado.

Já mencionei que máquinas que queimam combustível poluem o meio-ambiente. Máquinas que queimam combustível precisam de upgrades que não têm como final o mesmo objeto, ou seja, são substituíveis, sofrem desatualização. Os produtos desatualizados são lixo. A gente não sabe lidar com o nosso lixo. Produzimos coisas, ajuntamos coisas, mas não sabemos nos livrar das coisas sem agredir o meio-ambiente. Eu queria que todo mundo sentisse muita dor de barriga quando permitir que suas compras sejam colocadas num saco plástico. Eu queria que todo mundo que joga lixo pela janela do carro ou do ônibus tivesse dor de dente. Eu queria que todos os fumantes do mundo considerassem suas bitucas como sendo lixo e tivessem dor no pulmão toda vez que jogam uma bituca no chão. Eu queria que todo mundo que joga óleo no ralo da pia tivesse dor de cabeça. Eu queria que a gente tivesse consciência - daquelas que doem - do mal que a gente está causando pra gente mesmo e pro mundo.

domingo, maio 06, 2007

Chuva!

Cheiro de chuva depois de muito tempo de calor
Cheiro de flor de laranjeira num dia de sol e céu azul
Cheiro de pinho na floresta verde e fresca
Cheiro de café quando você se aproxima da cozinha de manhã
Cheiro de pão dourando no forno
Cheiro de roupa limpa no travesseiro.

Chuva?

A previsão do tempo anuncia chuva para amanhã.


Segue o seco,
sem sacar
que o caminho é seco

...

óh, chuva vem me dizer
se posso ir lá em cima
pra derramar você

Junto com a chuva, outra mudança: a temperatura vai cair em 10 graus de uma vez.
Faltavam umas cento e poucas páginas pra eu terminar o meu livro.
Hoje de manhã tava fazendo sol, apesar do vento frio.
Peguei uma cadeira de jardim.
Sentei no sol.
Li 60 páginas.

Além da pele queimada, trouxe uma taturana pra dentro de casa. Não sei se a cabeça está na esquerda ou direita, mas achei ela muito bem doida.

sábado, maio 05, 2007

Bevrijdingsdag

5 de maio é o dia em que os holandeses comemoram o Dia da Libertação. Perguntei de quê, e a resposta veio seca: da Guerra. É o dia em que as tropas alemãs saíram daqui, derrotadas depois da Segunda Guerra.

Estou lendo o melhor livro que já li esse ano lá consta que em 3.500 anos de história do mundo civilizado, houve apenas 230 anos em que NÃO havia guerra nesse Planeta. "You tell me which 230 years and I´ll believe you!" " I don´t know which, but I know it´s true." "And where´s this civilized world you´re referring to!"

sexta-feira, maio 04, 2007

TULPEN in Keukenhof










Molen in Keukenhof


Só tinha um moinho, mas podia subir nele!!!

Mensen in Keukenhof

A grande maioria dos visitantes pode ser enquadrada com sendo pertencente à terceira idade. A segunda idade veio pra relaxar, curtir um sol e conversar (A maioria dos visitantes eram holandeses e conversavam em holandês, e os turistas eram predominantemente falantes de inglês americano, italiano, português brasileiro e espanhol! Só em Nijmegen que não tem brasileiro... fora eu....)
A primeira idade foi gastar as energias, como sempre!
Tinha gente casando no jardim das tulipas!

Dieren in Keukenhof


Tinha mais, mas esses eu achei mais simpáticos.

Cores e formas diferentes

Lírios cheirosos Gérberas coloridas


Bah, que bizarro...



Orquídeas

Há alguns pavilhões no parque, e cada um tem nome de algum rei ou rainha dos Países Baixos. E cada um tem um tema: orquídeas, gérberas, begônias, bulbos, bromélias. Eu não queria tirar tantas fotos de orquídea, mas putz, é divertido! Confesso que me senti meio dentista ou ginecologista fotografando as orquídeas de tão perto, mas enfim!



Além das tulipas

Keukenhof é um grande jardim que apresenta as flores da primavera ao público. Lembra que eu mostrei um Rhododendron e avisei que não é uma azaléia? Pois bem. A foto de cima mostra azaléias antes de desabrocharem. A de baixo mostra Rhododendren. São diferentes.

Uma das várias variantes de Rhododendron.
Amores perfeitos:
Não sei o nome dessa bola de florzinhas, mas ela exala um cheiro mó bom!

Keukenhof

Bem-vindo a Keukenhof, o maior jardim de tulipas que há na Holanda. O parque abre só durante a primavera (vai fechar dia 20 de maio!), custa 13 euros pra adultos e não tem ingresso pra estudante. Fica localizado no meio do nada, mas tem ônibus pra lá. Eu fui a Leiden de trem e peguei um ônibus na Centraal Station e voltei por Schiphol, o aeroporto de Amsterdam. Tem esculturas espalhadas por todo o parque, mas acho que ninguém não tá nem aí pra elas... O pessoal veio de longe pra ver flores, sentir seus odores, fazer poses em sua frente e tirar retratos.
Tem um labirinto que é muito massa, porque todo mundo que você encontra no labirinto está sorrindo aquele sorriso cheio de expectativas.
As plantações de tuplipas estão assim, porque está muito quente nesse país. Faz mais de um mês que não chove, e só as tulipas no jardim, que têm a sombra das árvores pra descansar um pouco do sol, estão radiantes.

quinta-feira, maio 03, 2007

Não-nativos

Revi um filme que eu acho supimpa: Everything is Illuminated. Não é só a história, são as complexidades de cada personagem, é Sammy Davis Jr. Jr., a cadela louca, é a paisagem melancólica da Ucrânia, e é a linguagem que fazem com que eu goste tanto desse filme. Especialmente interessantes são - pra mim, éh! - as partes em que Alex, o ucraniano, fala inglês com Jonathan. Jonathan deixa de ser Jonathan, pra virar Jóanfen. Este é um exemplo de sotaque que me diverte.
Outra coisa eu acho o máximo do supra sumo é a escolha das palavras de Alex. A grande expedição em busca das memórias esquecidas acaba se transformando em um very rigid search. A cadela louca foi adquirida num canil, que é descrito como home for forgetful dogs. Perguntando se Jonathan dormiu, Alex pergunta: did you repose? Em uma cena, Jonathan é convidado a sentar no banco de trás do carro apertado, que está tomado pela cadela que rosna e mostra todos os seus dentes pontudos. Jonathan explica que tem fobia de cachorros, e Alex, pra quem essa palavra não consta no vocabulário, pede, paciente: Please, do not be distressed!
Uma outra coisa deliciosa de se ver é como Alex traduz as explosões de impaciência do avô ucraniano pra Jóanfen. Voltando à cena da fobia, Joánfen, desesperado, declara que não há condição de ele entrar naquele carro com aquele cachorro doido dentro. O avô xinga, gesticula e amaldiçoa Jóanfen até a terceira geração. Jonathan pergunta ao seu intérprete o que foi dito. Alex diz: My grandfather informs me that this is not possible. Em outra cena, Jonathan pergunta por que a cadela se chama Sammy Davis Jr. Jr. Alex diz que é porque o avô gosta muito de Sammy Davis Jr. Ah, sim, o primeiro cantor negro que se converteu publicamente o judaísmo. Novamente ouvimos exaltações furiosas vindas do avô, o maior detestador de judeus que há na Ucrânia. Alex explica: My grandfather informs me that this is not possible.

Possible e repose são duas palavras que Alex usa no filme que causam estranhamento no ouvinte, mas são compreendidas. Quando estrangeiros falam inglês, eles não perguntam se podem, se é permitido, se tem jeito. Eles perguntam: is it possible to ... Na língua nativa deles, eles não usariam essa construção, mas em inglês ela aparece.

Outra coisa que fatalmente acompanha um não-nativo é a posição do verbo na pergunta, quando ela não for direta, tipo what is this? O verbo vai pro final da sentença em perguntas encaixadas, tipo Do you know what this is? Estrangeiro não faz isso. Não-nativos da língua inglesa perguntam: Do you know what is this?

Pois é... vai pra Holanda pra ficar prestando atenção no inglês dos outros...

quarta-feira, maio 02, 2007

Me chamo vento

Uma manchete de jornal holandês diz que o mês de abril está fora do comum:

quente, seco e sem vento.

Concordo com quente. As temperaturas chegaram a até 28 ºC durante o mês.
Concordo com seco. Houve registros de 30% de umidade relativa do ar, e num desses dias secos, Nan reclamou de dores de cabeça e eu bebi 3 litros de água na universidade e mais uma chaleira de chá em casa. Além do mais, não choveu uma mísera gota de água durante todo o longo mês de abril.
Não concordo com windstil. De jeito nenhum. Especialmente na hora do almoço, os ventos se intensificam. Justo na hora em que eu pego a minha bicicletinha e pedalo pra casa, pra almoçar. Nas ciclovias, a galera pena pra caramba, e o trânsito é lentificado pelos ventos furiosos. Eu não sou muito mais rápida que a galera, porque nessa hora estou faminta e com frio de tanto ficar sentada na frente do computador. Pois é, vai dizer que pedalar na Holanda é fácil, porque aqui é tudo plano... Tem que considerar o vento!
Esse vento é sonoro, constante, forte e frio que dói. Devia ter um nome.
Na Grécia Antiga, os ventos eram Deuses e tinham nome: Boreas, Notos, Euros e Zephyros. Na França, o Mistral embaralhou o meu cabelo. Na Itália, quatro ventos marcam seus respectivos territórios: Föhn, Mistral, Sirocco e Bora. Lá de onde venho, lembro de um personagem chamado Minuano. Agora falta esse vento daqui ter um nome próprio. Eu acho que Maledeto é um nome apropriado.