quarta-feira, junho 06, 2007

Dordrecht

Voltei de waterbus de Papendrecht a Dordrecht.
I took the waterbus from Papendrecht to Dordrecht.

As casas em Dordrecht são tão tortinhas quanto as casas no centro histórico de Amsterdam.

The houses in Dordrecht are as inclined as the ones in the old center of Amsterdam.

Medida da altura da água.

Measurement of the waterlevel.

Grote Kerk: grande igreja, big church.
E não é que a torre é inclinada?!

The tower is leaning!?

Sinalização vertical

Esse é um exemplo de placa pra quem está seguindo uma rota. É uma placa só pra ciclista.
Placas como essas (vermelhas com fundo branco) são para ciclistas também, como indica a bicicletinha no topo do poste. Os números são as distâncias pela ciclovia.
Essa placa é muito massa, porque é pros motoristas prestarem atenção nos ciclistas quando fizerem a conversão, cruzando a ciclovia ou ciclofaixa.

Arredores de Kinderdijk

Tenho imagens de moinhos e de água pra mostrar.
What I have to show are images of mills and water.

Ninho de pato no meio do lago.
Duck's nest in the middle of the lake.
Não gostei desse caminho entre os pontos 4 e 5, porque achei difícil me manter numa das faixas estreitas da via, na minha bicicleta feminina.
I did not like this path very much, because I found it difficult to keep on the narrow lane, riding that lady bike.

Tem um farol pra barcos.
There is a traffic light for boats.

Sabia que cisne quando se sente ameaçado solta um som parecido com o som que o gato faz pra ameaçar outros animais?
Did you know that a swan produces the same sound as a cat when (s)he feels threatened?

O quintal das casas é o canal.
The backyard of these houses is the canal.
No primeiro plano, num verde mais amarelado, está o canal cheio das plantas que servem de alimento pros patos.
In the front, in a yellowish green, is the canal, full of plants that feed the ducks.

Do ponto 1 eu segui pro 2 e entrei em Kinderdijk. O ponto 3 marcava a saída de lá, o ponto 4 teve o cisne como marco, o ponto 5 foi alcançado através da trilha estreita e o ponto 6 está perto desse moinho. Não segui adiante, porque eu precisava estar em casa para o housedinner.
From point 1 I went to 2 and entered the region of Kinderdijk. Point 3 marks the exit of that place, while point 4 had the swan as a landmark. Point 5 was reached through that narrow path and point 6 must be close to this mill. I did not go any further, because I had to be home in time for housedinner.

Repare na altura da casa em relação à rua.

Check out the height of the house in relation to the street.

Dentro de um moinho

Tem a parte mecânica pra ser apreciada.
There is the mechanical part to be enjoyed.

Tem as janelas que permitem uma visão pra fora do moinho. O que se vê são outros moinhos.

There are windows allowing you a view outside the mill. What you see are other mills.

Tem escadas, muitas escadas. Escadas que descem, escadas que sobem, e senhorinhas que descem as escadas de costas.

There are stairs, many stairs. Ladders that lead upstairs, ladders that lead downstairs and ladies that go stairs down backwards.

Mais vistas pra fora.

More views outside.

Molen in Kinderdijk

São 19 moinhos em Kinderdijk. Eles não servem pra moer trigo e fazer farinha, mas pra bombear água pra fora de "polders". Isso são áreas represadas que foram secadas - através da força dos ventos que giram as pás dos moinhos. Os moinhos ainda funcionam hoje como bombeadores de água, mas dessa vez é pra controlar o nível das águas e evitar inundações.

There are 19 windmills in Kinderdijk. They do not make flour out of wheat, but pump the water out of "polders". These are surfaces of dammed water that were dried - through the force of the winds turning the mills. Nowadays the mills work as water-level-controllers and aid in the flood prevention.
As pás podem ser cobertas com a lona ou não, depende da força do vento.
The sails can be covered with a cloth or not, depending on the intensity of the winds.

As ruas são feitas de água, a energia vem do vento, e as pessoas moram em construções que convertem potência em energia, pra se manter acima do nível da água.
The streets are made of water, the energy comes from the wind, people live in buildings that converse power into energy, in order to keep themselves above water level.

Às vezes o interior do moinho é muito pouco pra uma vida confortável, então os moradores acrescentam uma casinha ali, um barco aqui e uma rede acolá.

Sometimes the inside of a mill is not enough for a comfortable life, so the inhabitants add a small house to the mill, a boat there and a hammock over there.

Esse moinho tem um formato diferente. Parece mais um moinho colocado em cima do topo do telhado de uma casa. Mas é isso mesmo que são esses moinhos: a parte de cima é até mesmo móvel, conforme o vento. Todo o eixo em que está a escada externa termina num leme que pode ser movimentado.

This mill has a different shape. It looks more like a mill on top of the rooftop of a house. But that is exactly what these mills are about: the top can be moved according to the direction of the wind. The whole axe where you see the external stairs end in a steering wheel that can be moved.


Repare nas costas do moinho: dirigível.
See the back of the mill: that is where you turn the top.


Turista pode entrar em um moinho, mediante pagamento de 3 euros, pra ver como as coisas funcionam por dentro.

Tourists may get inside one mill and check out how things work, as long as they pay a 3 euro entrance.

De Dordrecht a Kinderdijk

O moço do aluguel de bicicletas trouxe uma bicicleta urbana, olhou pra minha cara e disse: I give you a dady bike. Expliquei que eu eu tenho um MTB, que estou acostumada a subir na bike levantando a perna por cima do selim, mas nenhum argumento meu funcionou.

The guy from the bicycle rentals brought me a city bike, looked at me and decided: I give you a lady bike. I explained that I have a mountainbike, that I am used to swing my leg over the seat, but none of my arguments convinced him.


Não há muitas pontes em Dordrecht, então muitas águas são transpostas de balsa. Eu peguei o waterbus por 1 euro pra andar um ponto: atravessar um canal de Dordrecht a Papendrecht.

There are not that many bridges in Dordrecht, so many waters are crossed on a ferry. I took the waterbus for 1 euro to move to the next stop: across the canal there was Papendrecht. Dordrecht.
A moça no ponto de informações turísticas me explicou que as rotas de bicicleta agora têm uma nova forma de indexação. Antes cada rota tinha um nome, e você seguia sempre a mesma placa com o nome da rota. Assim você tem certeza de que está no caminho certo, mas isso não garante que você esteja seguindo a direção certa, e você não tem uma idéia da altura da rota em que você se encontra (começo, meio ou fim).

The lady from the tourist information desk told me that now the bicycle routes have a new identification system. In the old fashion, each route had a name, and you would always follow the same signs with that same name of the route. This way you always know that you are on the right route, but that does not mean that the direction is correct. You also have no idea of how far you are from the destination.

Pelo novo sistema, cada cruzamento é um ponto de um número diferente. Assim você segue de 1 pra 2 pra 3 até cansar.

In this new system, each crossroad is a spot with a different number. Thus you travel from 1 to 2 to 3, until you get tired and decide to go back. Tanguy tinha me avisado que o caminho até lá não é bonito. Bom, é no mínimo bizarro.
Tanguy told me that the way from Dordrecht to Kinderdijk is not nice. Well, it is, at least, weird.
Uma construção altamente fashion que serve pra pouca coisa. É só a casinha redonda e a rua, não tem nada mais.

A highly fashionable construction that has little practical use. It is just that round house and the street, nothing more.Ao longo de um dos braços do Waal, que é o rio que beira Nijmegen. A carga da balsa me intrigou: só um carro.

Along one of the arms of the Waal, the river that flows past Nijmegen. The load of the ferry puzzled me: one single car. Uma casa virtual. Da hora!

A virtual house. Awsome!


À distância, enxergo alguns moinhos.

In the distance, I see some windmills.

Kinderdijk



Um dia de mental work, outro dia de physical work. Hoje é, segundo a previsão do tempo, o último dia de sol antes da chuva vir nos visitar.

One day of mental work, another one of physical work. According to the weather forecast, today was the last sunny day before the rain comes to visit us.

Peguei um trem pra Tilburg e depois outro pra Dordrecht, aluguei uma bicicleta e pedalei até Kinderdijk e arredores. Passei o dia todo sentadinha numa bicicleta feminina, com a coluna retinha e utilizando uns músculos da perna que só hoje me lembraram que existem.

I took a train to Tilburg, then another one to Dordrecht, rented a bike and cycled to Kinderdijk and surroundings. I spent the whole day sitting on a lady´s bike, with my back straight and using leg muscles that only were recalled into existence on this very day.

terça-feira, junho 05, 2007

Certezas

Tenho algumas poucas certezas nessa vida, mas somente poucas delas respondem a perguntas interessantes. Sei, por exemplo, que a ciência tenta buscar "a verdade", mas ao mesmo tempo não acredito que ela exista. Se um estudo for científico, então os resultados da pesquisa científica são números, estatísticas, medidas. O que é científico responde pelo que já foi e faz previsões sobre o que há de vir. A ciência precisa de modelos, de teorias gerais e que tenham o poder de explicar mais do aquilo que se observa no mundo. As teorias e os modelos são feitas por homens e mulheres como você e eu.


Lingüística é uma ciência. A língua, seu principal objeto de estudo, não se dobra às medições científicas que qualquer teoria possa querer lhe aplicar. Nenhuma das 3 grandes correntes teóricas tem uma boa definição de "língua". Qualquer olhar sobre a língua (própria ou dos outros) é a partir de um ponto de vista muito particular. E nem sempre o que lingüista faz é observar a língua. Muitas vezes ele olha pro modelo que ele tem da língua.


Neurociência, como o nome já diz, é uma ciência. Além de estudar as funções do cérebro, padrões de atividade, e as relações do cérebro com o resto do corpo, é uma ciência que possibilita pontes entre áreas menos mensuráveis, como a memória ou a língua. Mas cada cérebro é único, e cada um se adapta diferentemente às condições exteriores. Sabemos que o cérebro é plástico. Sabemos que, se ele sofrer uma lesão, como por exemplo acontece num derrame, outras regiões vão assumir funções daquela parte que foi lesada. Mas não somos capazes de prever quais partes vão assumir quais funções em que medida.


Em Neurolingüística estudamos as relações entre cérebro e linguagem. Sabemos muito pouco sobre a linguagem no cérebro, e temos duas principais formas de especular sobre como a língua está armazenada na caxola:

  • Ou a gente faz experimentos lingüísticos com alguém enquanto observa a atividade cerebral do sujeito que está participando do experimento. O problema é que muitas outras coisas interagem com a tarefa dada ao sujeito. Além de ler frases bestas na tela de um computador, ou de ouvir uma voz engraçada e sintetizada, o sujeito está respirando, pensando como a meia está apertada, tentando mudar de posição na cadeira, sentindo os eletrodos pendurados na cabeça, se esforçando pra lembrar se fechou a janela da cozinha, lembrando que não comeu nada faz 5 horas. Tudo isso aparece na tela de quem vê a atividade cerebral. Um raio-X é mais óbvio que um resultado de PET, EEG ou fMRI. Vai por mim. Eu consegui ler no meu raio-X que o meu pé não estava quebrado, sabia até em que sentido era pra segurar o raio-X, mas não consigo identificar uma lesão cerebral num afásico de Broca, cuja lesão deveria ser na região de Broca.
  • Ou a gente espera alguém com alguma lesão cerebral chegar até nós, falando de maneira desviante. Esse sujeito não só tem um problema de linguagem, que chamamos de afasia. Ele tem metade do corpo paralisada, perdeu o emprego, não tem perspectivas de conseguir outro tão cedo, não vê os amigos faz tempo, pensa que esqueceu tudo e tem vergonha de falar, porque as palavras lhe saem meio tortas da boca.

Lingüista observa a fala de afásicos e vê que falta um monte de coisa. As frases que o afásico de Broca produz são curtas, simples e com poucos verbos ou preposições, artigos e conjunções. Lingüista vai logo pensar que a linguagem da pessoa se foi. É o que ele vê. Se não está perdida, então está seriamente danificada. E em seguida, o pesquisador que passou anos nas cadeiras da universidade, aplica testes em que há construções passivas, invertidas, bizarras e improváveis numa situação real de comunicação. A conclusão é triste: não compreende, nem produz linguagem adequadamente. Os modelos de linguagem que permitem esse diagnóstico são quase matemáticos.

Passei mais de 9 horas na biblioteca do Max Planck, lendo artigos em que se testava hipóteses. É estranho ler tanta hipótese descombinada que é falseada pelos dados. Por fim, li um artigo que tinha como objetivo contrastar duas hipóteses antagônicas. Se não for uma, é a outra, certeza. E os afásicos fizeram os testes, julgaram as passivas tão bem como as ativas, construíram dativas e compreenderam tanto as longas como as curtas. E não justificaram nenhuma das duas hipóteses.

Antes de ir embora, desliguei as luzes da biblioteca e fechei a porta, meio zonza, sem nenhuma certeza sobre o funcionamento do cérebro e suas relações com a linguagem. Mas uma coisa nova eu aprendi: as ninféias são flores que se abrem com a luz do sol, e se fecham com o pôr-do-sol. Como se não bastasse, elas giram conforme a curva que o sol faz no céu, assim como os girassóis.


Agora me pergunta pra quê serve saber isso sobre flores que vivem em águas paradas. Não tenho certeza.

segunda-feira, junho 04, 2007

Vida mansa

Poucas pessoas nas ruas de Nijmegen. Tudo bem, é de manhã. Poucas pessoas na feira. Comentários sobre a calmaria. De tarde, muitas pessoas nas ciclovias entre Nijmegen e Kranenburg, na Alemanha. Muitos carros passando ao longo do rio que divide os dois países. Obras, máquinas e homens de capacete na pista. Entro num parque em que a circulação de bicicletas não é permitida. Mas, como vejo mais de um ciclista passeando no parque, levanto a frente da Pequena Giant e passamos o portão. Nunca tinha entrado nesse lugar. O lago tem patinhos, depois vem uma faixa de areia, depois gente deitada no sol. Estão em trajes de banho? De que cor é o biquini, então? Esse povo tá pelado mesmo. Encosto a bike num banco, pego a minha caramanhola, sento e bebo água. Lá na outra margem do lago, um homem levanta, tira a camisa, o short e a cueca. Estica os braços e entra na água, pra nadar um pouquinho.
Eh, vida mansa...

sábado, junho 02, 2007

Piada de loira e telegrama

Two sisters, one blonde and one brunette inherit the family farm. Unfortunately, after just a few years, they are in financial trouble. In order to keep the bank from repossessing the farm, they need to purchase a bull so they can breed their own stock. The brunette balances their cheque-book then takes their last 600 dollars to another farm where a man has a prize bull for sale. Upon leaving, she tells her sister, "When I get there, if I decide to buy the bull, I'll contact you to drive out after me and haul it home." The brunette arrives at the man's farm, inspects the bull and decides she does want to buy it. The man tells her that he can sell it for $599, no less. After paying him, she drives to the nearest town to send her sister a telegram to tell her the news. She walks into the telegraph office and says, "I want to send a telegram to my sister telling her that I've bought a bull for our farm. I need her to hitch the trailer to our vehicle and drive out here so we can haul it home." The telegraph operator explains that he'll be glad to help her, then adds, "It's just 99 cents a word." Well, after paying for the bull, the brunette only has $1 left. She realises that she'll only be able to send her sister one word. After thinking for a few minutes, she nods and says, "I want you to send her the word, 'comfortable'." The telegraph operator shakes his head. "How is she ever going to know that you want her to hitch the trailer and drive here to haul that bull back if you send her the word, 'comfortable' ?" The brunette explains, "My sister's blonde. She'll read it slow."
*** come for t'bull ***

sexta-feira, junho 01, 2007

Ciclismo anárquico

Lembra daquele desenho animado do Pateta, que num lindo dia de sol e céu azul sai de casa, vai até o carro assoviando, todo contente, e quando gira a chave do carro na porta, começa a se transformar em monstro? Atrás do volante, eu também posso ser assim: não buzino, mas corto, costuro, não dou passagem, acelero e faço curvas em alta velocidade. Sim, eu tenho consciência do meu estilo levemente agressivo.

Mudei pra bicicleta, que não atinge velocidades tão altas como um carro, e portanto não estimularia tantas loucuras no trânsito. Mas com uma bicicleta no trânsito brasileiro, a briga é por espaço e visibilidade. Ciclista anda nas ruas, porque não há ciclovias ou ciclofaixas. E quando há ciclofaixas em parques da cidade, há sempre pedestres correndo ou caminhando no espaço reservado para os ciclistas. Eu tomava o meu espaço nas ruas, sempre usando roupas de cores chamativas, usando capacete e dando sinal que ia mudar de direção. Reparei que, depois de assumir a identidade de ciclista, me acalmei atrás do volante. Mas mesmo assim me envolvi em um acidente de bicicleta que eu mesma causei: a descida na ladeira em Campinas tava boa, eu não vi o carro cinza-cor-de-asfalto vindo atrás de mim, fui cruzar a rua, freiamos loucamente e tomei um chão bem-servido. Ciclismo imprudente.

Vim pra Holanda, país das bicicletas. Aqui a bicicleta é respeitada por motoristas e pedestres, e há ciclovias e ciclofaixas em todas as ruas, exceto em bolsões residenciais. Na maioria das vezes, a calçada tem metade da largura da ciclovia, demonstrando como o ciclista é mais valorizado que o pedestre. As ciclovias ou ciclofaixas têm uma mão de direção, que corresponde à mão dos carros. Se um ciclista quiser andar um trecho curto (uma quadra, por exemplo) na contra-mão, pra não ter que cruzar a rua duas vezes, ele anda pela calçada. E o pedestre que se esprema. Os tempos do farol para ciclista são diferentes que os tempos do farol pra pedestre. Por motivos óbvios, o farol pra ciclista fica aberto por mais tempo que o farol pra pedestre. Mas, veja que aberração: existe uma rotatória com 5 faróis (!) em Nijmegen. A bicicleta dá a volta completa na rotatória numa "onda verde". O pedestre não consegue realizar tal façanha. Tudo isso pra mostrar que o ciclista é rei nos Países Baixos. Os motoristas sempre olham pra ciclovia, antes de fazer uma curva. Se vier ciclista, eles param e esperam.

Me acostumei a sempre ter preferência, a sempre ter razão, quando pedalando a minha bicicleta. Me acostumei com os tempos dos faróis, e sei que há um longo minuto em que todos têm sinal vermelho. Quando calculo o tempo do farol, considero esse tempo de vermelho pra todos e vou. Atravesso faróis vermelhos quando não vem carro e não fico esperando o farol verde. Confio que os motoristas estão me vendo e não estão dispostos a me atropelar. Quem é que quer se envolver em acidentes? Pois é, mas tenho consciência de que, pra evitar acidentes, algumas regras básicas devem ser seguidas. Aqui, a regra mais básica é: cada um tem a sua vez.

Aconteceu de eu não dar a vez prum carro no farol. Ciclismo anárquico. Novamente, eu tava na descida, no embalo, em alta velocidade, e farol tava fechando pra mim. Fechou, mas eu continuei. O carro acelerou, eu abri pra direita, me distanciando do carro e tive que pular a guia da ilha de trânsito. A roda da frente foi, a de trás bateu, seca, no canto da guia. Achei que um raio tinha estourado, desalinhando a roda, fazendo com que o aro batesse no freio. Parei a bicicleta, lá longe, depois que o motorista tinha passado por mim, buzinando. O aro estava deformado. Abri o freio, mas ainda assim tava difícil pedalar. Tirei a pastilha do freio e segui pra academia de escalada, sentindo tum tum tum tum tum tum tum tum.

Tive que comprar uma roda nova. O defeito era só o aro, e um aro é baratinho, mas eu duvido que eu tenha capacidade de botar os raios no aro e ter como resultado final uma roda que gira pra frente, e não pros lados. Fora isso, não tenho a ferramenta pra mexer na catraca. Mais uma ida à bicicletaria na Holanda. Mais uma conta alta pra pagar: 50 euros (lembrando que a bicicleta toda custou 85).

A proporção de bicicletas por holandês é de 2 pra 1. Sim, em média, cada habitante tem duas bicicletas: uma urbana para o dia-a-dia e uma outra (speed, mountainbike ou dobrável). Na maioria dos casos, a bicicleta urbana faz barulho, foi pintada pelo dono de todas as cores que ele gostava na infância e é muito velha. Não é descuido, não. Tanto as bicicletas em si, como os serviços de conserto e manutenção são muito caros aqui. Por isso as pessoas ficam com o que têm.